segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

CRIATIVIDADE

Apesar das cenas lamentáveis que alguns políticos nos proporcionam temos que reconhecer a criatividade & velocidade com que o brasileiro encara a situação.

ACONTECEU EM PENÁPOLIS DIA 12 DE DEZEMBRO DE 2009

Depois de chegarem por volta das 14h40min na cidade de Penápolis para o 3º Penápolis Rodeo Festival, a produção da renomada dupla Rick e Renner ficaram preparando seus equipamentos e passando o som até as 21h45min, além de interditarem a passagem dos caminhões dos tropeiros com sua linda carreta, os produtores começaram “apertar” os profissionais do rodeio para que agilizassem as montarias.
Como sempre acontecem, nossos humildes equipamentos estavam recebendo interferência dos que estavam no palco.
Pedimos aos técnicos, que após passarem o som desligassem o equipamento, mas parece que conversamos com uma pedra.
Devido ao tradicional atraso que sempre acontece, estava previsto entregar o palco a meia noite para inicio do show, mas como todos sabem, não foi possível.
Isso devido ao atraso da produção do show de Rick e Renner.
Bem, quando saímos de casa para o rodeio, só vamos pra fazer aquilo, então pra que ficar apertando pra acabar logo.
Quando a famosa dupla entrou no palco, parecia que estava indo pro corredor da morte.
Mau humor total, e na verdade não deveriam, pois se subiram no palco, é sinal que o cachê já estava na mala (e em dinheiro), pois “artistas” não aceitam cheque.
Por volta da terceira musica, o grande cantor e compositor Rick, fez o seu pronunciamento quanto ao atraso do show.
Olha que teve gente que ficou chateada, afinal disse ele:
- “...é um desrespeito deixar o publico esperando o show, afinal de contas o povo estava ali pra ver eles e não ficar vendo boi pular no barro...”
Nós que formamos a família do rodeio, queremos expressar nosso protesto contra esse tipo de atitude de certos “artistas”, pois enquanto nós ficamos preparando o publico para depois do rodeio assistir ao show´s de palco, os cantores ficam em confortáveis e luxuosos hotéis, camarins com frutas, água, refrigerante, mesa de frios, energéticos, alem de bebidas isotônicas e nós muitas vezes debaixo do palco com um bico de luz sem nenhum conforto.
Fica aqui nosso desafio aos “artistas” que se acham...
- escolham uma cidade do interior (onde normalmente são realizados os rodeios) montem por vossa conta e risco, um fechamento, palco, som, luz, pague as taxas rezem pra não chover, divulguem e leve o dinheiro da bilheteria para suas famílias, vamos ver se vocês, não dariam mais valor e respeito aos “bobos” que se desdobram para que os senhores possam levar suas maletas cheia do dinheiro de nosso suor, risco de vida e simplicidade.
Sem mais, dezembro de 2009.
Ass. Profissionais do rodeio (os verdadeiros artistas)
Henrique Moraes, por e-mail

Nota: o blog está aberto para a versão "do outro lado" envolvido, caso os artistas queiram.

ARTIGO DA LYA LUFT

Infelizmente na mensagem que recebi o artigo dessa grande articulista "veio sem título".
Talvez um BOAS FESTAS, enquadrasse bem.
Concordo plenamente com as suas colocações.


Não falarei da virada de ano convencional, do tempo de festas em que a gente se finge de santos, vai à missa mas odeia meio mundo, pede perdões mas vive fazendo maldade, arma um sorriso babaca, abraça a família que na verdade está um caos, manda uísque para os colegas a quem detesta, e um presentão para o chefe pelo qual se sabe desprezado.
Não falarei das comemorações dos escravos do consumismo, que nessa época se endividam em dez prestações para dar presentes impossíveis a pessoas nem sempre amadas, ou cujo amor tem de ser comprado.
Não falarei do começo de ano dos que dizem que para eles essas datas não existem: espalham o negativismo de suas decepções com a raça humana, que na verdade não é tão grande coisa assim, portanto não se deveria esperar que fosse.
Talvez eu fale de um começo de ano mais simples, porque não foi antecedido por um daqueles Natais de religiosidade fingida, amor com hora marcada, presentes supérfluos ou adquiridos com sacrifício; talvez eu fale de confraternização, abraço amigo sincero, acolhimento da família – amada apesar das diferenças, sabendo que ali a gente é aceito mesmo quando não é entendido, mais que isso: é respeitado e querido.
Falo de uma tentativa real de recomeçar até onde é possível: com um olhar um pouco diferente para pessoas a quem a gente admira ou estima e normalmente não tem tempo de abordar (que pena, que desperdício). Gente que nos interessa pelo simples carinho, independentemente de status, grana, importância e possível utilidade.
Falo de uma entrada em um novo ano abrindo as portas e janelas da casa e da alma. Sem frescura, sem afetação, sem mau humor, sem pressão nem formalidade. Pensando que a gente poderia ser mais irmão e mais amigo, mais humano, mais simples, mais desejoso de ser e fazer feliz, seja lá o que isso signifique para cada um de nós.
Não com planos mirabolantes que não se podem cumprir, mas inventando novos modos de querer bem, sobretudo a si mesmo, pois sem isso não tem jeito de gostar dos outros de verdade.
O bom é entrar num novo ano sem nostalgia melancólica, sem suspiros patéticos e sem lamentações inoportunas, sem tornar a paciência dos que , ao redor, estão querendo começar o novo ano num clima positivo.
Não falarei, nunca, de festas de passagem de ano tendo de encher a cara para agüentar o próprio deserto interior e a frivolidade de toda uma vida ou para enfrentar a loucura generalizada, o desamor dos parentes chatos, dos filhos idem, da mulher ou marido irônicos, da sogra carrancuda, do amigo interesseiro ou o prenúncio das contas que se acumularão porque a gente gastou o que não podia com coisas que não devia.
Algumas pessoas saem da manada e se propõem a cada ano uma vida possível, mais amena e humana apesar de tudo. Na qual, independentemente de crença, ideologia e vivências, aqui e ali se consegue refletir reavaliar algumas coisas. Com um pouco mais de aproximação, de reflexão, de algum otimismo, a gente sendo menos arrogante, menos fria, menos desinteressante, mais... gente.
E, já que é um novo ano, vai aí um presente meu, simplesinho, que os tempos estão difíceis:
Deus eu faço parte do teu gado: esse que confinas em sonho e paixão, e às vezes em terrível liberdade.
Sou, como todos, marcada nesse flanco pelo susto da beleza, pelo terror da perda e pela funda chaga dessa arte em que pretendo segurar o mundo.
No fundo, Deus, eu faço parte da manada que corre para o impossível, vasto povo desencontrado a quem tanges, ignoras ou contornas com teu olhar absorto.
Deus, eu faço parte do teu gado estranhamente humano, marcado para correr amar morrer querendo colo, explicação, perdão e permanência."